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Cuidado com a euforia

 

Os principais jornais e revistas de negócios estão fazendo seus papéis: dar um novo fôlego para o empresariado brasileiro. Na última edição de Exame do ano de 2018, a reportagem "Uma aposta no futuro" da Renata Vieira, mostra um perfil diferente no comportamento de grupos de executivos e donos de negócios. Outrora com reações de sobreviventes, nesta reportagem, esse novo perfil mostra uma maior preocupação com o meio ambiente, com o futuro econômico da população, a intenção de seguir leis e, não menos importante, otimismo com o ano que está por vir. Na mesma edição da revista, empresários de diversos setores mostram que a intenção de incrementar investimentos nos seus negócios é uma tônica recorrente da atualidade. Este é um reflexo claro de que a expectativa deste seleto grupo está em alta.

 

Como exposto pela FIESP, o índice de confiança do empresário industrial (ICEI Brasil), em novembro de 2018 atingiu o maior patamar desde junho de 2010: 64,9 pontos (sendo 100 o mais confiante possível e 0 a maior falta de confiança possível). Esse indicador reflete melhores perspectivas econômicas e é impulsionado pela mudança do cenário da conjuntura política, onde uma guinada mais liberal está reaparecendo.

 

O comportamento da inflação acumulada em 12 meses evidencia essa confiança. O indicador ficou de abril de 2017 a agosto de 2018, 17 meses seguidos, abaixo do patamar encontrado em agosto de 2010, mostrando a volta da capacidade de controle de preços pelo governo sem intervenção nos preços controlados. Neste mesmo período, o indicador manteve-se equilibrado entre 4,5% e 2,5%, ultrapassando somente em 0,25 pontos percentuais a atual meta do Banco Central.

 

Toda esta euforia, no entanto, não se traduz em melhores oportunidades sempre. Para conseguir absorver as vantagens deste ambiente econômico mais agitado, os empresários precisam estar abertos a avaliar as oportunidades de modo prático. Algumas são claramente vantajosas, assim como outras são óbvias enrascadas, mas quando as variáveis passam a ser muitas, o negócio fica nebuloso, e fazer como o velho marinheiro pode significar perder o negócio. Neste caso, ativar sua rede de pessoas de confiança e se ater à qualidade e eficácia dos seus controles para a gestão podem ser imprescindíveis. Agir com cautela e assertividade hoje pode significar boas decisões, que moldarão seu sucesso amanhã.

 

Renato Luz

Economista (FEA/PUC-SP) e especialista em gestão empresarial (FIA-USP).

Consultor de negócios e executivo de novos negócios da Coca-Cola FEMSA Brasil

renato.luz@bradogestao.com.br

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